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A caverna do homem contemporâneo

Texto inspirado na proposta de redação exigida na 2ª fase da Fuvest 2017, cujo tema foi O homem saiu da menoridade? , na qual trazia nos textos de apoio a definição de Kant sobre a menoridade, conforme descrito em "Que é Esclarecimento?".  Platão, em seu célebre Mito da Caverna relata, por meio do uso metafórico, a dificuldade humana em tornar-se intelectualmente independente. Tal ideia foi concretizada por Kant em O Esclarecimento. Nessa perspectiva, tem-se que a crítica dos filósofos ainda é presente, uma vez em que o homem parece distante de romper com a menoridade. Ainda que a globalização do mundo contemporâneo permita o acesso a diversas informações por minuto, a forte influência religiosa e política presentes demonstram que o homem ainda é limitado a uma autoridade que pense por si mesmo. Além disso, o crescente número de filhos que saem cada vez mais tarde da casa dos pais, evidencia que a acomodação impede a busca pela independência financeira. Dessa f...

As atitudes físicas e o estado de espírito

(Foto: https://weheartit.com/entry/307830774) As atitudes físicas refletem o estado de espirito do próprio indivíduo. Basta analisar-se. Quando tomei a decisão de voltar a andar de bicicleta, depois de anos, pude perceber isso. É simples: eu, que guardo diversas cicatrizes da infância por me machucar durante as brincadeiras - inclusive, andar de bicicleta -, me vi pela primeira vez com medo de cair. Eu, que quando criança batia e batia nos muros por diversas vezes de bicicleta, agora tinha medo até de sair do lugar e cair. Foi então que soube: agora eu tinha medo de errar. E foi então que tive a certeza de que as atitudes físicas estão diretamente relacionadas ao estado de espirito. Agora, eu havia me tornado alguém que não dava espaço para o risco, não me permitia jogar-se no incerto. Eu queria tudo planejado, tudo sob controle. O passar dos anos nos tornam pessoas cada vez mais sem coragem, talvez.

Pantera Negra: empoderamento feminino e exaltação da cultura africana fazem do filme singular

Na última quinta-feira (15), cinemas de diversos países receberam o que promete ser uma das maiores produções da Marvel: Pantera Negra. Não por acaso, o filme que já é recorde de bilheteria pelo mundo, de acordo com o portal G1 , reafirma a tese de que os movimentos de minorias, no qual teve seu início com Mulher-Maravilha, em 2017, consolidaram seu espaço nas grandes Marvel e DC Comics. Primeiro filme da Marvel a ter um elenco majoritariamente negro, a trama que se desenvolve através de T’Challa (Chadwick Boseman), príncipe de Wakanda, na qual é detentora do poderoso metal Vibranium, retrata a utopia africana de um país jamais colonizado por brancos, e mostrou que dificilmente dá margem a críticas negativas. Ao fazer da cultura africana protagonista do filme, apostou-se desde vestimentas, rituais e músicas, a alusões históricas, e até mesmo um sotaque carregado, para fugir do tradicional filme Hollywoodiano. Além disso, é evidente o empoderamento feminino, que teve como um...

A riqueza de poucos beneficia a sociedade inteira?

Texto inspirado na proposta de redação da Unesp 2017, cujo tema foi " A riqueza de poucos beneficia a sociedade inteira? ".  Desde o início da colonização do Brasil, a luta de classs proposta por K. Marx é visível: escravos e latifundiários, burguês e proletariado, político e civil. Nessa perspectiva, torna-se claro que a riqueza de poucos não beneficia a sociedade inteira. Ao contrário, torna extrema a desigualdade. Rousseau, ao afirmar que "a propriedade privada é a semente da desigualdade entre os homens", torna explícito que aqueles detentores de grande parte do capital possuirão privilégios muito além do que o indivíduo que possui o mínimo. Dessa forma, é tão comum casos como falta de alimento, saúde e saneamento básico em áreas marginalizadas, enquanto há o excesso desses recursos em locais elitizados. Em consequência desses modos de vida tão distintos, a ascensão social torna-se quase que utópica para o indivíduo da classe menos favorecida. As...

Ah, as expectativas!

É um tanto cômico como planejamos cada mínimo detalhe de nossas vidas como se essa, na realidade, não fosse um mar de imprevisões. E é. Passar na universidade x, falar três idiomas até os 20, casar-se com alguém da mesma profissão. A vida é aquilo que passa despercebido aos nossos olhos enquanto estamos planejando o futuro que, por muitas vezes, foge ao nosso controle. Talvez por isso as decepções sejam tão complicadas: expectativas nos fazem ter certeza de algo improvável. E ah, as expectativas! Elas nos fazem enxergar amor onde não há, brilho no lugar da escuridão. Elas nos cegam quando não controladas. Após isso, como que discretamente, a realidade aparece para quebrar essa idealização. E como!

Empatia superficial: a face do século XXI

Texto inspirado na proposta de redação da Unesp 2016, cujo tema foi "Publicação de imagens trágicas: banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?".  Ano a ano, as redes sociais são "bombardeadas" por imagens trágicas acompanhadas de enormes textos redigidos por indivíduos que se dizem indignados. Entretanto, o modo como tornou-se comum esse ato, proporcionou não mais a sensibilização diante do fato, e sim, a banalização do sofrimento. Ao estar diante de mídias que expressam o horror, cria-se uma empatia superficial. Não há, na maioria dos casos, interesse real em ajudar ou mudar o que é retratado, apenas ser sensibilizado por alguns minutos e, por meio do compartilhamento, fortalecer um ativismo que não se estende para além do ambiente virtual. Desse modo, de acordo com a afirmação de Kant, na qual "O homem é aquilo que a educação faz dele", ao tornar comum a divulgação de imagens violentas, não somente é banalizado o ato, mas educa-se...

Carta a uma ex amizade

Querido, Ou talvez não tão querido assim, já que não éramos muito de demonstrar afeto. Os pingos de chuva ecoam pela janela do meu quarto, e a música que toca através do alto falante talvez demonstre tudo o que eu não te disse. Até agora. A verdade é que eu segui em frente, e você também. Até mais rápido do que imaginávamos, talvez. Você fez outras amizades, eu permaneci focada nos estudos. A propósito, eu ainda me lembro do quanto disse que eu deveria priorizar mais as relações do que o vestibular para que não perdesse a cabeça. Infelizmente, eu só me dei conta dos excessos depois que tive a certeza que te perdi. Perdi o direito de te procurar quando as coisas apertavam por aqui ou de te ajudar quando tudo complicava aí. E doeu. Doeu a falta de presença, a ausência de palavras e a despedida, que na realidade, nunca tivemos. Apesar dos pesares.